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Soneto de Agosto

Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados Amamos, vagamente surpreendidos Pelo ardor com que estávamos unidos Nós que andávamos sempre separados. Espantei-me, confesso-te, dos brados Com que enchi teus patéticos ouvidos E achei rude o calor dos teus gemidos Eu que sempre os julgara desolados. Só assim arrancara a linha inútil Da tua eterna túnica inconsútil... E para a glória do teu ser mais franco Quisera que te vissem como eu via Depois, à luz da lâmpada macia O púbis negro sobre o corpo branco. Vinicius de Moraes

Fevereiro

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Fevereiro Escute só. Isto é muito serio. Ande, escute que isto é sério. O mundo está tremendamente esquisito. Há dez anos atrás o Li** disse que existe uma rachadura em tudo e que é assim que a luz entra não sei se entendi. (…) O amor é um animal tão mutante, com tantas divisões possíveis… Lembra daqueles termómetros que usávamos na boca quando éramos pequenininhos? lembra da queda deles no chão? então, acho que o amor quando aparece é em tudo semelhante à forma física do mercúrio no mundo quando o vidro do termómetro se quebra, o elemento químico se espalha, e então ele fica se dividindo pelos salões de todas as festas mercúrio se multiplicando… acho que deve ser isso uma das cinco mil explicações possíveis para o amor. Ah, é.. Eu gosto de você… A luz entrou torta por nós adentro, Mas olhe.. Eu gosto de você.. (…) Hoje ainda faz bastante frio. (…) A esta hora na Terra é metade Carnaval, metade conspiração, metade medo, metade fé, metade folia, metade desespero, E provavelmente, a ...