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Soneto de Agosto

Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados Amamos, vagamente surpreendidos Pelo ardor com que estávamos unidos Nós que andávamos sempre separados. Espantei-me, confesso-te, dos brados Com que enchi teus patéticos ouvidos E achei rude o calor dos teus gemidos Eu que sempre os julgara desolados. Só assim arrancara a linha inútil Da tua eterna túnica inconsútil... E para a glória do teu ser mais franco Quisera que te vissem como eu via Depois, à luz da lâmpada macia O púbis negro sobre o corpo branco. Vinicius de Moraes

O Navio Negreiro

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I 'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço   Brinca o luar — dourada borboleta;   E as vagas após ele correm... cansam   Como turba de infantes inquieta. 'Stamos em pleno mar... Do firmamento   Os astros saltam como espumas de ouro...   O mar em troca acende as ardentias,   — Constelações do líquido tesouro... 'Stamos em pleno mar... Dois infinitos   Ali se estreitam num abraço insano,   Azuis, dourados, plácidos, sublimes...   Qual dos dous é o céu? qual o oceano?... 'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas   Ao quente arfar das virações marinhas,   Veleiro brigue corre à flor dos mares,   Como roçam na vaga as andorinhas... Donde vem? onde vai?  Das naus errantes   Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?   Neste saara os corcéis o pó levantam,    Galopam, voam, mas não de...

Ao dia sete de setembro

Mancebos, que sois a esperança Do majestoso Brasil; Mancebos, que inda tão tenros Sabeis de louro gentil Adornar o pátrio dia, Nosso dia senhoril! Eis que assomou sobre os montes Além, sobre a antiga serra, Entre mil nuvens de rosa, O dia de nossa terra; Aquele que para a Pátria Milhões de glórias encerra. Foi hoje que o Lusitano, Que o filho de além do mar, Despertou com forte brado A Pátria que era a sonhar, Que nem sequer escutava A liberdade a expirar. E o brado: — "Livres ou mortos" Lá nos bosques retumbou; E mais contente o Ipiranga As suas águas rolou; E o eco d'alta montanha Todo o Brasil ecoou. E as montanhas lá do Sul, E as montanhas lá do Norte, Repetiram em seus cumes: Sempre ser livres ou morte... E lá na luta renhida Cada qual luta mais forte. Sim, nos combates que, ousados, Travaram cem contra mil, O mancebo que nascera Sob este azul céu de anil, Forte como um Bonaparte, Batia o forte fuzil. E cada qual no combate...